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Cap.2

 

            Bun e bunchum
A palavra africana para o cafeeiro era bun que depois deu, em árabe, bunn significando tanto a planta como o grão/baga. Rhazes (850-922), médico que viveu no Iraque persa, compilou uma enciclopédia médica na qual se refere ao grão como bunchum.
A sua dissertação sobre as propriedades curativas  levou indubitavelmente a crer que o café era conhecido como remédio havia mais de mil anos.

 Referências semelhantes aparecem nos textos de Avicena (850-1037) outro distinto médico e filósofo muçulmano.

 

 A palavra “café”, enquanto bebida, é uma forma modificada do termo turco kahveh que, por sua vez, deriva do árabe kahwa (ou qahwah).fotos-legenda3

 

 

 O café era bebido na mesquita, onde, depois de os monges tomarem a sua dose, o imã o oferecia a quem mais estivesse presente. Servido desta maneira cerimoniosa, tendo por fundo os cânticos devotos, beber café era visto como uma atividade saudável e pia. Todos os que provavam o café gostavam da bebida e queriam mais pelo que não demorou muito até que as regalias obtidas ao visitar a mesquita se espalhassem. Pouco a pouco, seus limites se estenderam dos religiosos.
Os que recebiam café na mesquita achavam-no um estimulante agradável e condutivo à sociabilidade. Em pouco tempo a bebida foi vendida abertamente na região, atraindo uma multidão heterogênea de estudantes de Direito, trabalhadores noturnos e viajantes. Por fim, toda a cidade adotou a prática, não só à noite, mas a toda a hora do dia, assim como em casa.

fotos-legenda5            O café impõe-se
A nova bebida espalhou-se rapidamente de Adem às cidades vizinhas, tendo chegado pelos finais do século XV, à cidade santa de Meca. Nesta, como em Adem, o ato de beber café centrou-se primeiramente à volta da comunidade na mesquita.
Relato de um historiador árabe: “Multidões afluíam de muito longe, a todas as horas do dia, para desfrutar do prazer da conversa, de jogar xadrez e outros jogos, de dançar, de cantar e de se divertir de todas as maneiras, com o pretexto de beber café”.
Como centro do mundo muçulmano, as práticas sociais e culturais de Meca eram copiadas pelos muçulmanos das outras cidades principais. Assim, em relativamente pouco tempo, o ato de beber café fixou-se em grande parte da Arábia, espalhando-se para o ocidente, para o Egito, e para o norte, pela Síria. O hábito do café instalou-se ainda por parte do exército muçulmano que, na época, avançava pelo Sul da Europa, Espanha e Norte da África e a leste pela Índia. Onde quer que fossem, levavam consigo.
O café tornou-se, assim, parte integral da vida do Médio Oriente. A sua bebida era tão crucial para o funcionamento normal da sociedade que em muitas zonas os contratos de casamento estipulavam um dote à mulher em café, e, se o mesmo não fosse cumprido, era motivo para divórcio.

 

O café na Pérsia

 Dizia-se que os guerreiros persas repeliram os Etíopes quando estes tentaram se instalar no Iêmen. A história do mufti de Adem também refere que já se bebia café na Pérsia em meados do século XV.
Desde muito cedo, a maioria das principais cidades persas exibiu cafeterias elegantes e espaçosas, situadas nas melhores zonas da cidade. Estes estabelecimentos tinham a fama de servir café rápido, eficientemente e “com abundância de respeito”. As cafeterias persas criaram fama pelas conversas, pela música, pela dança e por “outras coisas desse tipo”.

fotos-legenda6            O café na Turquia
Apesar de ter chegado à vizinha Síria, o hábito de beber café demorou relativamente muito tempo a estender-se à Turquia. A seguir à expansão do Império Otomano e subseqüente conquista dos muçulmanos árabes, os Turcos aderiram furiosamente ao hábito de beber café.
Novos oásis – Segundo um escritor árabe do século XVI, as primeiras duas cafeterias de Constantinopla foram montadas em 1554 por um casal de empresários sírios, rápidos a se antecipar à moda. As duas instalações eram mobiliadas de forma impressionante, com “sofás e tapetes muito elegantes, nos quais recebiam os seus clientes que, no início, eram principalmente estudiosos, amantes do xadrez e de outras diversões sedentárias”.
Embora o número de novos estabelecimentos não parasse de aumentar, as cafeterias estavam sempre cheias. Como diz Hattox em The Social Life of the Coffeehouse: “Assumindo que todas as classes iam às cafeterias, isso não significa que fossem todas às mesmas”.
Assim que o café começou a se libertar das suas associações religiosas, as cafeterias ou qahveh khaneh espalharam-se rapidamente por todo o Médio Oriente. Havia também postos de venda, lojas de cafés e vendedores ambulantes que aqueciam o café em pequenas lamparinas e enchiam os pires de quem passava.
Nenhum ato social estava completo sem o café. Um escritor viajante europeu escreveu: “Eles bebem café não só nas suas casas mas também nas vias públicas enquanto vão para os negócios e, por vezes, três ou quatro pessoas de uma vez na mesma xícara”.

 

MANUAL ENCICLOPÉDICO DO CAFÉ
MARY BANKS
CHRISTINE McFADDEN            CATHERINE ATKINSON

Hugo Wolff Sanches de Oliveira – Produtor de Café – Mestre de Torra – Classificador

 

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