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HISTÓRIA DA ESCOLA ESTADUAL DR. ANTÔNIO CARLOS

 

                                                    1-Histórico

Nas primeiras décadas do século XX a educação na região de Nossa Senhora das Dores do Aterrado, pertencente até 1923 ao município de Cássia, era realizada de modo informal com professores autônomos que davam aulas em salas sem estrutura de escola. Após a emancipação de Nossa Senhora das Dores do Aterrado em 1923 que a partir de então passou a se chamar Ibiraci, a situação da educação não demorou a mudar. Houvera a escola da Da. Eudóxia, a Escola de Meninos do Prof. Vitoriano, a do prof. José da Massimina, a do prof. Jerônimo Taveira, prof. Antonio “Padre”, prof. Candim e outros itinerantes que percorriam as fazendas e povoados da zona rural, onde ensinavam noções de português e de aritmética principalmente. 
                   No início da década de 1930, sob o mandato do primeiro prefeito da cidade, o Coronel Timóteo Joaquim de Andrade, foi concluída, em 1932 a construção da escola, projetada por uma construtora de São Sebastião do Paraíso, que logo começou a funcionar com o nome Escola Estadual Dr. Antonio Carlos. Esta foi a primeira escola oficial de Ibiraci. Seu primeiro diretor, ainda que interino, foi Manuel Victoriano Alves de Paula
                   No período quando a escola estava sendo construída, o país vivia um momento de grandes mudanças e impactos tanto políticos quanto econômicos. Antonio Carlos, importante político mineiro que teve frustrada a expectativa de chegar à presidência da república com o rompimento da “Política do Café com Leite” estabelecida entre Minas Gerais e São Paulo, dera apoio à entrada de Getúlio Vargas na presidência da república, contrariando, dessa forma, a eleição que levaria novamente um paulista ao poder.
                   Além das mudanças de caráter político também a economia nacional vivia um momento de profunda crise da produção cafeeira, fruto das sucessivas crises pelas quais essa atividade passou, mas, sobretudo, devido aos impactos sofridos pela economia brasileira em função da crise econômica norte americana evidenciada em 1929
                   Próxima à fronteira entre Minas Gerais e São Paulo em um momento de instabilidade política e econômica e tendo dentre as suas principais atividades a produção de café e pecuária, Ibiraci se incluía num contexto histórico de grande relevância nacional.
                   Também o fato da sua primeira escola oficial começar a funcionar no início dos anos 1930 a insere em um conjunto de determinações e políticas educacionais características do período do governo presidencial de Getulio Vargas (1930 à 1945 e, posteriormente, de 1951 à 1954).
                   Ao longo do tempo algumas intervenções de adequação foram feitas na construção original. Foram criados vários anexos aos fundos do lote como salas de aula, cantina e o auditório, uma vez que não existiam quaisquer outras edificações no terreno. Houve também a descaracterização da fachada original. Embora a escola seja estadual quem realizou algumas das intervenções foi a prefeitura municipal de Ibiraci.
                   A Escola Estadual Doutor Antonio Carlos é a escola mais tradicional de Ibiraci, constituindo-se em referencia de ensino no município, onde estão matriculados atualmente, 475 alunos. Dessa forma, a população estabelece uma relação de proximidade e confiança com a escola.
                   Dentre seus bens relevantes encontram-se a portada da escola e a documentação escolar, incluindo o acervo de fotografias.

2 – Tipologia Construtiva

                   A planta do edifício da escola segue a regularidade ortogonal com o formato de “U”, possui quatro salas de aula, duas instalações sanitárias e uma sala para a administração e coordenação da escola. Os corredores cobertos pelo telhado principal, faceiam as laterais do pátio interno descoberto, gerado pela planta em “U”, ou seja, cada um dos dois corredores ( um do lado direito e outro do lado esquerdo), cercam este pátio no sentido longitudinal, sendo que no sentido transversal, um lado é cercado pela parede da sala de administração, e o outro é aberto para o grande pátio descoberto. O alpendre, ao centro da fachada frontal é acesso principal da edificação, isso se dá por escada que chega ao patamar de entrada. Essa escada e patamar, ou seja, alpendre possui telhado independente que se projeta logo abaixo do telhado principal. A simetria é presente na planta e a disposição dos cômodos é espelhada de uma porção para a outra. Na relação de proporção com as edificações vizinhas, a Escola se destaca pela sua porção frontal (paralela à via) que se dá por um marcante volume horizontalizado, de um pavimento com pé-direito alto, implantado acima do nível da via (com influencia da tipologia de porão alto) e recuado do alinhamento, tem acesso de pedestre por escada central. Há afastamentos laterais e de fundos. O terreno é planificado e possui suave declividade, descendo em direção a região central do grande pátio, área descoberta para uso de recreação dos alunos, de piso todo cimentado sem jardins, com apenas duas árvores e alguns poucos vasos de planta. Já a área descoberta do afastamento frontal é ajardinada com algumas árvores e coqueiros de pequeno porte. O fechamento lateral do terreno se dá pro muro baixo em alvenaria de tijolo e cimento, está rebocado e pintado, o fechamento frontal se dá por mureta arrematada por grade de ferro.

            2.1 - Sistema Construtivo

                   A estrutura é autônoma com pilares e vigas em concreto, a alvenaria é de tijolos cerâmicos, os vãos externos somam 17 (dezessete) janelas com verga em arco abatido e 8 (oito) portas com verga reta. A vedação dos vãos é em esquadria de madeira e vidro, sendo a bandeira fixa quadriculada em vidro, e as folhas (tanto as fixas quanto as móveis) quadriculadas em vidro na parte central e com veneziana em madeira nas partes superiores e inferiores. Os vãos não são emoldurados, há apenas uma projeção em relevo nas janelas, no nível do peitoril. São três tipos de sistemas para a aberturas das janelas: nas instalações sanitárias é tipo basculante, nas salas é de duas folhas de abrir ou também de quatro folhas com duas bandeiras fixas nas laterais e as outras duas do meio de abrir. As portas são do tipo prancheta, com sistema de abrir de uma folha nas instalações sanitárias, e de madeira e vidro, com sistema de abrir de duas folhas, nas salas e no acesso principal, com bandeira fixa quadriculada em vidro. O piso interno das áreas de circulação é de cerâmica, cor bege, o das salas é de tábua corrida e das instalações sanitárias é azulejado (tanto o piso é azulejado quanto a alvenaria, até meia parede sendo o restante pintado de branco). O forro das salas e circulação é em lambri de madeira, as instalações sanitárias tem a laje do teto emassado e pintado, e as varandas; corredores de acesso ao pátio descoberto não possuem forro sendo o telhado aparente. A cobertura é mista, sendo porção frontal e duas águas com cumeeira paralela à via e as porções laterais de três águas com cumeeira perpendicular à via. Quanto às coberturas: a fachada frontal é de 4 águas, tendo ao centro, um pequeno trecho do telhado, avançado (de formato triangular) em relação ao plano do telhado principal.
O alpendre, ao centro da fachada principal, possui telhado independente que se projeta logo abaixo do telhado principal. A estrutura do telhado é em madeira. O manto é em telha cerâmica tipo francesa e os beirais são lajeados. As calhas contornam todo o telhado, são metálicas e possuem escoamento canalizado, sendo os dutos fixos nas alvenarias e aparentes externamente.

            2.2 Tipologia estilístico-formal

                   A fachada frontal é composta de seis janelas e uma porta; sendo que a porta principal está centralizada na fachada, tendo uma janela de cada lado da mesma. Estes três vãos ficam no alpendre que vem em seqüência da escada do acesso frontal, as outras fachadas laterais (duas de cada lado). As duas fachadas laterais externas possuem cada uma quatro janelas, as duas fachadas laterais voltadas para o pátio interno (planta é tipo “U”), possuem duas portas cada uma, o trecho da fachada posterior também voltado para este pátio, possui três janelas e duas portas. A composição estética das fachadas se dá por ausência de ornamentos rebuscados, tem-se frisos em relevo apenas na fachada frontal, à altura aproximada ao do vão de portas, são estes frisos de cor branca se destacando da cor predominante do edifício que é o amarelo aplicado sobre a argamassa de cimento e areia que reveste os tijolos das paredes. Os vãos da escola não possuem molduras, ficando as esquadrias pintadas de branco como elemento estético das fachadas frontal, as quatro colunas que sustentam o telhado do alpendre de acesso à escola e enfatizam a simetria da mesma, fazendo destacá-la na paisagem urbana devido à composição desta varanda somada à vista da porção frontal do seu telhado e do volume coberto por este, que resultam em uma fachada harmoniosa paralela à via e que é bem visível ao nível do pedestre. O que torna a fachada frontal visual e volumetricamente marcante, é a relação de: cheios e vazios gerados pelas alvenarias e pelos vãos; planos recuados e avançados gerados pelas águas do telhado; contraste gerado pela relação de baixo e auto-relevos dos ornamentos em cor branca. E por fim, a sensação de ambiência agradável proporcionada pela relação do afastamento frontal ajardinado e elevação do edifício em relação ao nível da rua

3 – Documentação cartografia (esquema)

4 -  Analise do Entorno – Situação e Ambiência

                   As construções adjacentes são de proporção equilibrada em comparação com a escola. A maioria delas é de um pavimento, não apresentam almetria homogênea na paisagem urbana, pois além de uma diferença de numero de pavimentos, também diferentes tipos de telhado. A maioria é de uso residencial, dentre os pequenos comércios e pouquíssimos exemplares de uso misto.
Predomina a implantação sem afastamentos frontais dentre as quais há edificações que possuem afastamentos laterais e de fundos.
Como já citado, o edifício da escola se destaca na paisagem da via onde está situado, devido à composição harmoniosa da fachada e elementos desta que se destacam, tais quais, varanda e telhado. Provavelmente, foram realizadas substituições ao longo dos anos, portanto tem se edificações vizinhas de características contemporâneas, com boa qualidade arquitetônica e em bom estado de conservação, o que também se dá com os exemplares de estilo neoclássico e eclético existentes entre os citados contemporâneos. Não há indicadores de adensamento na região em questão.

4.2 Equipamentos urbanos:

                   A via onde se encontra a escola é asfaltada e apresenta equipamentos urbanos, em um bom estado de conservação, tais como: passeio em cimento, esgoto, água e iluminação publica instalada na calçada de acesso à escola. Esta mesma via não apresenta arborização, a vegetação mais próxima existente é comportada pela superfície da praça Raul soares que fica logo à frente da escola. A praça Raul Soares é um equipamento urbano que se destaca no entorno, está exatamente a frente da escola, também se destaca a Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, situada na praça, com fachada posterior voltada para a frente da escola. A praça apresenta equipamentos urbanos tais como: passeio em cimentado e em calçada portuguesa, bancos em pré-fabricado, esgoto, água e iluminação publica, sendo que o estado de conservação dos equipamentos é excelente. As vias que contornam a praça não apresentam arborização nos seus limites periféricos, ou seja, toda a vegetação existente é comportada pela superfície da praça, logo, todas as árvores, arbustos, gramíneas e outros representantes de vegetação da região em questão, estão plantadas em seus jardins e canteiros. Além destes jardins e canteiros, há na porção de praça localizada à frente da igreja (paralela à fachada frontal da mesma) uma fonte e água, um busto em homenagem ao Padre Teodoro Fernandez, e algumas mesas, com pinturas de tabuleiro para jogos, sombreadas pelas árvores

5 - Análises do estado de conservação

                   A edificação encontra-se em excelente estado de conservação. A edificação mantém sua integridade estético/formal e físico/construtiva com todos os elementos físicos e estruturais, desempenhando suas funções: vidros, janelas, portas e principalmente o sistema estrutural. Necessário que sejam mantidos os trabalhos de manutenção e conservação realizados até o momento da produção deste trabalho, pois são realizados de maneira adequada e satisfatória, garantindo a integridade total do bem

6 – Fatores de degradação

                   Não há fatores de degradação periclitantes, apenas desgaste por uso e também devido às intempéries. Porém, a implantação do auditório compromete a ventilação e insolação da lateral direita da edificação. Por este motivo, o local ficou menos salubre, pois retém umidade, uma vê que o afastamento entre este e a edificação da escola é bem estreito, inferior a um metro e meio que seria uma largura mínima ideal de acordo com as normas de acessibilidade

7 – Medidas de conservação

                   O bem foi criado para uso institucional, funcionando como escola desde a sua construção. Atualmente o uso de seu entorno é definido pela Praça Raul Soares, pelas edificações residenciais e comerciais. Não foram identificadas medidas mitigadoras para o bem propriamente dito. Existe, portanto a responsabilidade estadual de manutenção do edifício, e municipal de manutenção das vias, do sistema de esgoto e iluminação publica. Devem ser mantidas as medidas de manutenção que vem sendo realizadas, como a recomposição das paredes (onde o reboco está rompido) seria adequada para impedir que elementos da composição do edifício se comprometam. Outra medida como a pintura – respeitando as características originais da arquitetura – foi concluída recentemente, dando ao prédio ótimo aspecto. Fazer revisões periódicas no telhado com a finalidade de verificar peças de madeira danificadas

8 – Intervenções

                  
Houve substituições de pisos internos por materiais diferentes dos originais, o pátio foi todo cimentado e no mesmo foram inseridas edificações de apoio à escola, mas completamente fora da tipologia e padrão construtivo da mesma. Estas edificações geram uma paisagem desarmônica e mal distribuída nos fundos do terreno da escola, típicas de auto-construçao emergencial. São estas edificações uma forma de atender a demanda da escola, abrigando portanto salas, auditório e instalações sanitárias. Dentre estes citados, o que mais descaracteriza a edificação da escola é o auditório, que foi construído no afastamento lateral direito e está com um trecho ( o voltado pra via) rente a edificação da escola, esta situação é suavizada por dois motivos, o auditório tem a mesma cor da escola, e também a mesma altimetria de alvenaria. Houve a incorporação de rampas de acesso para portadores de deficiência o que alterou esteticamente a fachada original, e também a do pátio interno, mas inevitável como medida de adequação às necessidades de um espaço público.