Inicial

Uma palavra...

                   sobre o trabalho de pesquisa realizado até o momento para resgatarmos a História de Ibiraci. Com a criação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e da PROBRIG em 2004, iniciamos um trabalho de busca pelas documentações que nos esclarecessem a história de Dores do Aterrado. Em pouco tempo, percebemos que se tratava antes, de Santa Maria Magdalena do Aterrado... ainda antes havia sido Aterrado do Desemboque... e antes ainda, Desemboque!
Se o espaço geográfico era bem nosso conhecido, o espaço temporal se aprofundou em direção ao passado para a primeira metade do século XVIII e foi preenchido por uma “...grande e inesperada massa de documentos...” (DERBY, Orville A.- Docs.Interessantes, vol. XI , pág. XXXIII– 1896) nos quais, na maioria das vezes, percebemos o mesmo que o observado por Derby : “...uma das causas mais importantes da confusão que desde o princípio se tem creado em redor do assumpto, a falta de conhecimento exacto da topographia da região contestada e da posição verdadeira dos pontos que entraram em litígio...”(idem, idem, pág.CXI-idem).
Quando afirmamos que o Desemboque foi o primeiro povoado documentado, na área que hoje ocupa o município de Ibiraci, e que era situado onde hoje se encontra a Usina Mal. Mascarenhas de Moraes, foi provocada uma certa surpresa, inclusive em pessoas envolvidas com a história regional. Hoje, com uma cartografia e uma documentação do séc. XVIII, absolutamente fartas e convincentes, podemos citar algumas publicações que já diziam claramente o mesmo há muito tempo e não haviam sido consideradas: “...Desemboque é uma catadupa (cachoeira ou salto) que existe no rio Grande, distante da Povoação (sul) mais de 5 léguas...”(NABUT, Jorge Alberto, Desemboque-Documentário Histórico e Cultural, pág. 19 – 1986);
“... a denominação Desemboque vem de certa parte do rio Grande, cujas águas embocando por um estreito canal entre serras, subdividem-se em braços apertados entre ilhas de terras. Daqui, mais tarde, o nome passou para o Arraial do Rio das Abelhas ou das Velhas que fica para o norte, cinco léguas do Rio Grande...”(PONTES, Hildebrando de Araújo, História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, pág. 51 (nota) – 1970)
“...Pelas indicações é possível se determinar a posição do Desemboque: fica próximo (logo abaixo) da barra do Rio S.João de Jacuhy, em frente à serra que termina no Rio Grande, a cinco léguas acima da barra do Rio Canoas...” (MORAES Filho, Prudente e CARDOSO, João Pedro, Limites entre S.Paulo e Minas – MEMÓRIA, pág. 231 – 1920).
A partir de definido o Desemboque como o ponto de partida para nossa história, percebemos a importância de que se conheçam os mapas e as figuras históricas que registraram e construíram um dos maiores acervos documentais da História do Brasil (a questão de divisas entre Minas e São Paulo). Com a criação em 1720, da Capitania de Minas Geraes (sendo extraída da de São Paulo) em pleno período Colonial, passando pelo crítico período do Reino Unido, Portugal, Brasil e Algarves (quando os mineiros tomam o Aterrado), pelo Império do Brasil (período em que, por mais de 50 anos, a Câmara de Franca reclamou a devolução do Aterrado), até à República (somente em 1936 aconteceu uma solução jurídica para a questão), inúmeras personalidades políticas, eclesiásticas e civis se envolveram na questão, inúmeros fatos e acidentes pontuaram a mesma, numerosíssimos documentos foram produzidos sobre o assunto por mais de 200 anos. Por isto, é de grande sabedoria a observação do mineiro Augusto de Lima : “... a pesquisa de documentos é trabalho inglório, fastidioso e extenuante, a que muito poucos se abalançam. Dahi o crédito que geralmente se presta às locubrações de raros investigadores...” (LIMA, Augusto de, Limites entre Minas e S.Paulo – Resumo Histórico Documentado, pág. 61 – 1920).
Orville Adelbert Derby e Augusto de Lima, com suas considerações, revelam duas grandes realidades da questão enfrentada pelos historiadores: poucos conheciam a geografia referida nos documentos e nenhum teve acesso a mais do que algumas partes de toda esta vasta documentação; por isto mesmo em algumas questões, o ponto de vista de um ou outro pesquisador prevaleceu por não haver quem o contestasse, como disse Lima “... poucos se abalançam...” a tão imensa tarefa.
O texto que se segue é resumido e claro o suficiente para qualquer cidadão leigo em pesquisa histórica compreender a importância da história de Ibiraci e também deixa  claro aos especialistas sua imensa capacidade de evolução e desdobramentos, dada à fartura de fontes documentais e referências bibliográficas à disposição de “... quem se abalançar...” em fazê-lo.

                            Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Ibiraci
PROBRIG – Protetores da Bacia do Rio Grande   
                

 

 

 


História de Ibiraci

         A cartografia mais antiga, que detalha o que hoje é a região do município de Ibiraci, foi produzida a partir de 1748 com a criação da Capitania de Goyaz, separando-a da de São Paulo pelo Rio Grande e da de Minas Geraes pelo Desemboque ( “lugar onde o rio desemboca entre serras”). Neste ponto único em todo o percurso do rio, este se estreitava numa pequena garganta com pouco mais de quinze metros e a partir daí percorria cerca de 10 léguas entre paredões rochosos com 300 ms de altura.  Este lugar tornou-se uma referência segura para todas as expedições que abriam as “picadas militares” quase sempre sobre as trilhas indígenas que teciam uma rede de comunicação no entorno da bacia do rio Grande, oferecendo à esta época possibilidades de exploração dos garimpos goianos, dos novos descobertos do Desemboque e de descaminho e fuga das rotas dos registros da região. Importante lembrar que nesta época o atual Desemboque (distrito de Sacramento), chamava-se Julgado de Nossa Senhora do Desterro das Cabeceiras do Rio das Abelhas, só aparecendo na cartografia como Desemboque na virada do século XIX.

 

 

Mapa que mostra o Desemboque como o último povoado paulista, na extremidade da Capitania de São Paulo com a de Goiás (conforme legenda 15)
(Mapa dos caminhos a partir de São Paulo, para Minas Gerais e Goyaz. 1780 – Inst.Est.Brasileiros – USP)

 

 
 

 

         Tirando a autonomia política da Capitania de São Paulo (de 1748 a 1765), o Rei Dom José I autorizou o Governador de Minas Gerais, Gomes Freire de Andrade a colocar a divisa entre as duas Capitanias “por onde vos parecer”. O objetivo era incorporar os novos descobertos da margem esquerda do rio Sapucaí à Capitania de Minas e consequentemente à disposição do fisco português.  
Gomes Freire nomeou o Desembargador Tomaz Rubin Barreto para definir a nova divisão que recebeu o nome de  Linha Tomaz Rubin (1749); ela determinava a divisa entre Minas Gerais e São Paulo desde o Morro do Lopo, por cordilheiras não muito conhecidas e na verdade, inexistentes, “até topar com o rio Grande”, no ponto Desemboque. A posse mineira da região se efetivou apenas em 1764 com a expedição do Governador mineiro Luis Diogo Lobo da Silva, que anexou à Capitania de Minas : “... de Jacuhy até o sítio chamado Desemboque...”


Mapa que mostra o Desemboque como divisa entre as Capitanias de Minas Gerais, São Paulo e Goiás.

         A partir daí, várias expedições de “limpeza” foram enviadas à região para expulsar e dizimar garimpeiros “vadios” e quilombolas.
Grandes expedições, como as de Inácio Correa de Pamplona, enviavam agrupamentos menores em missões pontuais para dizimar povoados e arraiais que se formavam nas faisqueiras recém descobertas.
Para a história de Ibiraci é relevante saber que no ponto Desemboque, à margem esquerda do rio Grande (onde hoje está a Usina Mal.Mascarenhas de Moraes, antiga Peixoto), existia um povoado que é referido em mapas  e documentos, até o seu último registro num mapa de 1782. A partir daí, o que pode ser resultado de uma ação de extermínio ou “limpeza”, passamos a encontrar um povoado na parte alta do nosso município (onde hoje se localiza a cidade) com o nome de Aterrado. Este povoado localizava-se na parte paulista (aquém da Linha Luiz Diogo Lobo, ou a Serra do Itambé) e ficava às margens do Ribeirão do Oiro, cujas lavras, identificadas em mapa por volta de 1760, atestam a época dos primeiros garimpeiros na região. Por esta época, o termo “aterrado” era comumente usado para definir os indivíduos expulsos de suas lavras pelos mineiros e equivale a assustado ou aterrorizado .
Uma referência importante para registrar a existência do Aterrado, diz: “... já em 1786 diversos moradores se tinham estabelecido no lugar chamado Aterrado, situado entre a estrada de Goyaz e o ponto Desemboque designado por Luiz Diogo Lobo como limite das capitanias”. ( DERBY, Orville Adelbert. Documentos Interessantes para a História e Costumes de S.Paulo vol.XI . São Paulo, Typ. A Vap.Espíndola, Siqueira & Comp, 1896. ) p.LXXXVI     
         O povoado do Aterrado do Desemboque pertenceu a Mogi Mirim, até a criação da Vila Franca em 1805. O Cap. Hipólito Antonio Pinheiro, ao encaminhar ofício ao Governador paulista Antonio José da Franca e Horta e pedir autorização para fundar Franca, pede também autorização para construir um Quartel de guardas no Aterrado e outro na Lagoa Rica, para deter os mineiros em sua intenção de avançar sobre a capitania de São Paulo.

 

    Mapa de 1805 em que o Cap. Hipolito mostra os marcos construídos na Serra do Itambé, divisa das capitanias, segundo a Linha Luis Diogo, o Desemboque (Peixoto), o Aterrado (Ibiraci) e o  lugar escolhido para fundar Franca :lugar eleito para o templo”.

         
         O Quartel do Aterrado, situado uma légua a leste do povoado ficou posicionado exatamente sobre uma linha imaginária que liga o Morro Selado ao Desemboque no rio Grande, conforme a divisa que prevalecia então. Os mineiros, dois anos depois, também fizeram um aquartelamento de homens a menos de um quilômetro de distância e ambos ficaram durante 9 anos em vertentes opostas com controle visual um do outro (o local se chama Fazenda Quartéis).

   Mapa de 1850, através do qual a Câmara de Franca reclama ao Presidente da Província de São Paulo, a posse do Arraial do Aterrado, demonstrando a linha divisória que prevalecia em 1816, do Morro Selado ao Desemboque, passando exatamente no ponto onde o Capitão Hipólito havia construído o Quartel do Aterrado em 1805. 

 

          Em 12 de janeiro de 1816, contudo, forças mineiras “deitaram abaixo” o Quartel paulista do Aterrado e avançaram 5 léguas dentro da Capitania de São Paulo, colocando os marcos na margem do rio Canoas. A ação, atribuída à Câmara de Jacuí, tinha o claro respaldo do Governador mineiro, Dom Manuel de Portugal e Castro, ainda que este não o admitisse na época, e do próprio Rei, como se observa na Carta Patente do Cap. Felizardo Antunes Cintra, Capitão de Ordenanças que comandou um pequeno exército de 60 soldados mais seus oficiais com a missão de ocupar o Distrito do Aterrado, o que o fez até sua morte em 1842, com uma credencial especial : “... enquanto eu (o Governador) o houver por bem e o Mesmo Senhor ( o Rei) não mandar o contrário”.
O Conde de Palma (Francisco de Assis Mascarenhas), governador da Capitania de São Paulo, que havia negado um aumento na guarda do Quartel solicitado pelo Cap. Hipólito, um mês antes da ocupação, não autoriza uma retaliação por parte de Mogi Mirim ou de Franca e encarece as ações políticas, mantendo rica correspondência sobre o assunto com D.Manuel. Na verdade nada se modificou e o Aterrado que a Câmara de Franca reclamou durante mais de 80 anos se tornou mineiro definitivamente. Se houve a necessidade de uma ação armada no Aterrado, no dia 04 de abril do mesmo ano, um Alvará Régio incorporou sem lutas, o sul de Goiás a Minas, transformando-o no Triângulo Mineiro. Percebe-se que se tratava de uma estratégia da Coroa para definir as fronteiras da Capitania de Minas, única que de fato tinha um sistema de arrecadação eficaz para controlar os novos descobertos da região.
         O Capitão Felizardo Antunes Cintra, a partir da ocupação em 12 de janeiro de 1816, buscou conseguir a Provisão Eclesiástica para a ereção da Capela. Como a área permanecia eclesiásticamente ligada ao Bispado de São Paulo, iniciou uma correspondência entre 1817 e 1824 com o Bispo Dom Matheus de Abreu Pereira, até que no dia 01 de outubro de 1824 foi celebrada a primeira missa na Capela de Santa Maria Magdalena do Aterrado e abençoado seu cemitério por seu primeiro pároco, o Pe. Manoel Coelho Vital (conforme o Termo de Vizitação e Bênção de 01/10/1824) . Como curiosidade pode-se acrescentar que escrituras particulares, dias seguintes à celebração da primeira missa, já eram redigidas e testemunhadas pelo Padre Manoel Coelho Vital.
Em 1832, na lista de povoamento, o Capitão Felizardo figurava como o Juiz de Paz do Distrito.
Pelo seu empenho em erigir a Capela do Aterrado, para cumprir as ordens de ocupação e pelos 26 anos que permaneceu no comando do local, até sua morte, o Capitão Felizardo Antunes Cintra é considerado o fundador de Santa Maria Magdalena do Aterrado.
Em 28 de junho de 1850, com a mudança da padroeira (de Santa Maria Magdalena para Nossa Senhora das Dores), acontece a elevação a Freguezia pelo Parágrafo 2º do artigo 1º da Lei no 497.
Santa Maria Magdalena do Aterrado pertenceu a Jacuí de 1816 a 1850, quando passa a pertencer a Passos e elege como seu vereador junto à nova Câmara,  o Padre Fortunato José da Costa, já como representante do Distrito de Dores do Aterrado.
Foi incorporado ao município de São Sebastião do Paraíso por Lei no 2.784 de 22 de setembro de 1.881.
Foi incorporado ao município de Santa Rita de Cássia por Dec.no 21 de 26 de fevereiro de 1.890.
Foi elevado a município com o nome de Ibiracy*, por lei no 843 de 07 de setembro de 1.923, compreendendo os distritos da sede e Garimpo das Canoas (atual Claraval), o qual perde em 1.953 (Lei est.no 1.039 de 12 de dezembro de 1.953).
Foi elevado a cidade pela Lei est. 893 de 10 de setembro de 1.925.
No dia 09 de agosto de 1.936 foi instalado o 1º Governo Municipal de Ibiracy que oficializou o Cel. Temóteo Joaquim de Andrade como o primeiro Prefeito Municipal para o período 1.936/1.940.
É instalada a Comarca de Ibiraci em 15 de novembro de 1.948.

*Etimologia e significado da palavra Ibiraci
A palavra Ibiracy pertence à língua nheê-gatú, falada pelos tupis e quer dizer “Mãe da Árvore”, no sentido rigorosamente etimológico. Composta por dois vocábulos comuns que são ybyra (árvore) e cy (mãe). A grafia dos vocábulos de origem indígena foi normatizada na década de 1960 passando-se a escrever Ibiraci ao invés de Ibiracy.
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Personagens importantes para a compreensão da trajetória histórica de Ibiraci.

 

1- Governador Gomes Freire de Andrade, 1º Conde de Bobadela

         Antonio Gomes Freire de Andrade (Juromenha, Portugal, 1685 – Rio de Janeiro, 01/01/1763), foi Governador da Capitania de Minas Gerais de 1735 a 1736, 1737 a 1752 e de 1759 a 1763). Por Alvará Régio de 09 de maio de 1748 foi autorizado a definir as divisas entre as Capitanias de Minas Gerais e de São Paulo “... por onde vos parecer...” (pelo Rei D.José I, interessado em aumentar a capacidade arrecadadora da Capitania mineira), encarregando para tal função o Desembargador Tomaz Rubim Barreto. Conseguiu junto à Coroa, que a Capitania de São Paulo ficasse sem governo próprio entre 1748 e 1765 para poder expandir as fronteiras mineiras sem maiores oposições, tendo contudo encontrado no Bispo de São Paulo, D.Frei Antonio da Madre de Deus Galvão, um impedimento firme aos seus propósitos. 

2- Desembargador Tomaz Rubim Barreto

         Ouvidor da Comarca de São João Del Rey, encarregado de criar uma Linha de Divisa entre as Capitanias de Minas Gerais e de São Paulo, com o objetivo de incorporar novas áreas de garimpos à Capitania mineira, avançando a primeira divisa reconhecida que era pelo Rio Sapucahy, até o Rio Grande (conforme Bula do Papa Bento XIV em 1745). Rubin define o término da Linha no Rio Grande, no final de uma serra que teoricamente vinha desde Mogi Guaçu. Neste ponto, desde 1748, com a criação da Capitania de Goyaz (09 de maio de 1748) o Dezemboque do Rio Grande entre serras, definia os limites entre as Capitanias goiana e mineira, passando então a ser o ponto de divisa de três Capitanias, São Paulo-Minas Geraes e Goyaz (local onde hoje se encontra a Usina Mal. Mascarenhas de Moraes).

3- Cap. Pedro Franco Quaresma

         Natural da Praça-Forte de Peniche, Leiria, Portugal, era morador de Jundiaí em 1741, conforme documentos, explorador que atendeu ao Governador da Capitania de Goiás (Conde dos Arcos, conforme documento de 03 de janeiro de 1752) e aos interesses da Câmara de Jundiaí e do Bispado de São Paulo em nossa região a partir de 1752. Pode ser considerado a nossa primeira autoridade legalmente constituída, já que em 1763 foi nomeado Juiz do Novo Descoberto do Desemboque (onde hoje é a usina Mal. Mascarenhas de Moraes), conforme o Livro de Atas da Câmara de Jundiaí (1749-1823), página 09, dia 20 de abril de 1763. É considerado o “descobridor” de Caconde, de Jacuí e de Nossa Senhora da Conceição do Rio Grande (possivelmente a cidade de Franca). Conheceu os garimpos de nossa região já a partir de 1751, conforme correspondência com o Ouvidor Mor de São Paulo, José Luis de Brito Melo e em 1755 tomava posse para a Câmara de Jundiaí, dos descobertos da Borda da Mata (região entre Cristais Paulista e Pedregulho) e rio Canoas (Ibiraci) e suas andanças pelo Desemboque (Usina Mal. Mascarenhas de Moraes) são registradas por Campagnole em 1761. A partir de Peixoto, subindo pelo rio Grande até a barra (foz) do rio São João, foi por este até suas cabeceiras e estabeleceu-se em Jacuí.
Até o momento as pesquisas têm trabalhado com documentos do Arquivo Histórico Ultramarino (Portugal), Câmara de Jundiaí, documentos de Caconde e Livros da Matriz de Jacuí. Os registros  têm apresentado como uma figura de elevada importância para a nossa História num período anterior ao do Aterrado.
Acredita-se que foi sepultado no cemitério de Sant’Ana (Fortaleza de Minas), entre os motivos está a tradição oral da região que afirma que lá foi sepultado “o bandeirante” e também porque sua esposa, Ana Nunes Cardosa, foi sepultada em Jacuí, em 06 de outubro de 1791.

4- Governador Luis Diogo Lobo da Silva

Luis Diogo Lobo da Silva (nasceu em Montemor-Portugal, falecimento ignorado) foi Governador da Capitania de Minas Gerais entre 1763 e 1768. Governou anteriormente (1756/1763) a Capitania de Pernambuco, onde fundou mais de duas dezenas de vilas e dinamizou a economia local. Ao assumir a Capitania mineira,” ... Em 1764, depois de governos interinos de Minas Gerais, foi nomeado seu capitão general, sucedendo a Bobadela, D. Luís Diogo Lobo da Silva. Este efetuou, naquele mesmo ano, extenso giro pelos confins da Comarca de São João d’El Rei e, chegando a Jacuí, publicou, a 24 de setembro, o bando que se tornaria famoso para interpretar a linha demarcada pelo ouvidor-geral Thomás Rubi de Barros Barreto” (Memória de Caconde- Campagnole, Adriano). Deste Bando, documento dos mais interessantes da nossa história, destacamos dois trechos que nos falam diretamente da história de Ibiraci: “...Faço saber aos que este meu bando virem, ou  dele notícia tiverem, que reconhecendo compreendidas dentro da demarcação deste Governo de Minas Gerais as terras que formam os novos descobertos dos rios de São João do Jacuí, São Pedro de  Alcântara e Almas, Ribeirão de Santa Ana até a serra que termina no rio Grande, e no sítio chamado Desemboque”(Bando publicado em Jacuí em 1764, texto do Secretário do Governo, Cláudio Manoel da Costa (futuro inconfidente). E logo a seguir: “... ponto de demarcação da antiga Capitania de São Paulo com a de Minas, o qual se conservaria tirando uma linha pelo cume da mesma serra, seguindo-a toda até topar com o Morro do Lopo, e deste com o de Mogi-Guaçu e desta também pelo seu cume, aos rumos que seguisse, pertenceria a cada um dos governos até findar no rio Grande, balisa também do de Goiás...” Com este documento, o Governador mineiro tomou posse de Jacuí (até então pertencente à Capitania de São Paulo) até o lugar chamado Desemboque (hoje, Usina Mal. Mascarenhas de Moraes), no rio Grande que também servia de baliza para a Capitania de Goiás. Na verdade ele definia localmente, segundo seus interesses, uma região em que a Linha Thomaz Rubin demarcava mais a leste. Estabeleceu-se então uma nova linha de divisa, a Linha Luís Diogo.

A Linha Luís Diogo foi identificada mais tarde da seguinte forma: I – pelo rio Grande; II – pelo morro do Caxambu; III – pelo alto da Serra da Mantiqueira; IV – outra vez pelo morro do Caxambu; V – pelo rio Verde; VI – pelo rio Sapucaí; VII – pelo Morro do Lopo e estrada dos Goiases. Partia das proximidades de Queluz e Passa Vinte indo pelo cume das serras até o morro do Lopo, nas proximidades de Santa Rita da Extrema (atual Extrema). Daí seguia em linha reta até o rio Grande, região do Desemboque, situada logo abaixo da barra do rio São João de Jacuí no rio Grande, em frente a serra que termina nesse rio, a cinco léguas do rio chamado das Canoas ou Santa Bárbara. As léguas da época mediam 3.000 braças ou 6.600 metros. Caracol,  Monte Sião e Jacutinga, por essa linha, seriam cidades paulistas. Todas as medidas e informações conferem para configurar o Desemboque como sendo a nossa “Cachoeira do Inferno” onde foi construída a Usina de Peixoto.

 

5- Governador Dom Manuel de Portugal e Castro

         Manuel Francisco Zacarias de Portugal e Castro (Lisboa, 05/11/1787 – 12/07/1854), foi Governador de Minas Gerais entre 1814 e 1821. Foi também Governador da Ilha da Madeira em 1826, Governador (1830) e Vice-Rei da Índia (até 1835). Seguindo ordens de D.João VI, contrata o Cap. Felizardo Antunes Cintra para tomar posse do Distrito (paulista) do Aterrado, com um pequeno exército “...60 soldados com seus competentes oficiaes...” (Carta Patente – APM SC – 371, fls.89v e 90) e confirmar sua posse para Minas,  ali fixando residência. Em correspondência posterior com o Governador paulista, Conde de Palma, nega seu envolvimento pessoal e alega ter sido ação de iniciativa da Câmara de Jacuí, comprometendo-se a recolocar o marco violado. De fato, encaminha carta de admoestação à Câmara de Jacuí, relatando a reclamação do Governador de São Paulo e determina a recolocação do marco divisório em seu local de origem (coisa que nunca ocorreu).

6- Governador Francisco de Assis Mascarenhas, Conde de Palma

         Francisco de Assis Mascarenhas (Lisboa, 30/09/1779 – 06/03/1843). Foi Conselheiro de Estado, Senador do Império do Brasil de 1826 a 1843 e Governador das Capitanias de Goiás( 1803 a 1809), de Minas Gerais (1810 a 1814), de São Paulo (1814 a 1819) e da Bahia (1818 a 1821).
Foi durante seu Governo (12 de janeiro de 1816) que os mineiros tomam o Aterrado (Ibiraci) da Capitania de São Paulo. Sua posição sempre foi a de utilizar apenas as vias diplomáticas (“pois todos somos vassalos do mesmo Senhor”), nunca permitindo a reação armada por parte de Mogi Mirim e de Franca (tendo mesmo às vésperas da tomada, em dezembro de 1815, negado aumento da guarda do Quartel do Aterrado, solicitado pelo Capitão Mor de Mogi Mirim que já previa a ação dos mineiros).
Foi um dos precursores da técnica de produção do ferro gusa na metalurgia em Minas : “...  Eschwege construiu perto de Congonhas do Campo, MG, na ‘Fábrica de Ferro’ de propriedade da Sociedade Patriótica,organizada pelo Conde de Palma, então governador de Minas Gerais, um baixo forno tipo Sueco e obteve aos 17 de dezembro de 1812, a primeira corrida de ferro gusa (ou ferro coado como era chamado à época) no Brasil. ”
Por ter conhecimento anterior (enquanto era o Governador de Minas), reclamou várias vezes ao Governador mineiro de que o salitre das jazidas do Aterrado (Ibiraci) estava sendo explorado e desviado para a Capitania mineira.        

 

7- Guilherme de Barros Pedrozo

         Personagem importante na história do Aterrado, pois em 1807 declarou estar na região há cerca de 40 anos, com o cargo de Cabo e Sargento Comandante, encarregado de receber o quinto e encaminha-lo para o Ministro que o remeteria à Lisboa (conforme recomendado em um dos relatórios, em que um dos contribuintes era Hipólito Antonio Pinheiro, em 1802), era encarregado de proteger o transporte do ouro entre o Aterrado e Jacuhy e também de prender e encaminhar aqueles que não pagavam “os direitos de S.A.R. (Sua Alteza Real)”, para serem castigados “no tronco deste quartel”, conforme ordem do Cap. Comandante Manoel Francisco Neto, de Jacuhy. Possuía uma fazenda no Aterrado em que se extraía salitre, utilizado na produção de pólvora em Minas. Quando passou a governar a Capitania de São Paulo, o Conde de Palma, conhecedor da extração, proibiu as remessas para os mineiros e a questão chegou a ser discutida em Lisboa. Entre suas passagens mais marcantes, consta que foi obrigado sob a mira de 80 armas de fogo a assinar (estando em sua casa, no Aterrado do Desemboque – Ibiraci)  documento reconhecendo que ocupava território da Capitania de São Paulo e não de Minas Gerais.

8- Cap. Hippolito Antonio Pinheiro

                        Mineiro, filho de portugueses, nasceu provavelmente em 1746, na região de Congonhas do Campo. Faleceu aos 94 anos de idade, em 16 de agosto de 1840, em Franca. Em 1802, no Aterrado,  pagava em ouro o quinto para ser enviado a Lisboa, cobrado pelo mineiro Guilherme de Barros Pedrozo, conforme relatório de arrecadação. Sabe-se que em 1804, Hipólito era morador do “Ribeirão do Oiro, Bairro do Aterrado” Ibiraci (segundo Livro de Óbitos da Matriz de Jacuí, nos registros dos óbitos de sua escrava Anna Mulata e do escravo Manoel, do gentio da Guiné ), na região que hoje conhecemos como Silveira, claramente por motivo de garimpo. Neste momento (1804), recebia sacramentos na matriz de Nossa Senhora do Desterro (Goiás) e sepultava seus escravos no cemitério da Laje (local desconhecido), conforme documentos da Matriz de Jacuí, de onde era fregues. Em 1804 faz contato com o Tenente Ignácio Alvarez de Toledo que  a mando do Governador de São Paulo, Antonio José da Franca e Horta, chegou à região para revisar as divisas com a Capitania de  Minas Gerais e ficou incumbido de vigiar a fronteira paulista na região dos marcos da serra do Itambé (que ajudou a erigir) que definiam a projeção da Linha Luiz Diogo (de 1764) até o Desemboque no rio Grande, recebendo um carregamento de chumbo e pólvora para garantir a defesa da Capitania paulista e em seguida a patente de Capitão de Ordenanças de São Paulo que o qualificou como a autoridade militar paulista entre o rio Pardo e o rio Grande. Em 1805, o Cap. Hipólito constrói o Quartel de Guardas do Aterrado (no Morro dos Quartéis) e funda a Freguesia de Franca.
O Cap. Hipólito tenta reforçar a guarda do Quartel do Aterrado em dezembro de 1815, mas não contou com a aprovação do Governador paulista, o que provavelmente facilitou a tomada do Aterrado (atual Ibiraci) pelos mineiros em 12 de janeiro de 1816 quando estes “deitam abaixo” o Quartel do Aterrado e colocam o marco de divisa entre as Capitanias de São Paulo e Minas Gerais no rio Canoas. A reação de São Paulo, contudo, é freada pelo Governador paulista na época, Conde de Palma, que determina apenas protestos diplomáticos para evitar mais derramamento de sangue entre “vassalos de um mesmo Senhor”, conforme determinação de S.M. (Sua Majestade).
Este é um episódio que ainda será melhor estudado e esclarecido, o que inevitavelmente trará com o tempo, mais informações sobre o Capitão Hipólito que é considerado o fundador de Franca. 

9- Cap. Felizardo Antunes Cintra

                        Mineiro de Prados (foi batizado na Capela de N.S. da Lapa dos Olhos d’água em 19/07/1764 ), faleceu em Ibiraci em 1842. Felizardo Antunes Cintra é a figura mais importante na edificação histórica do nosso município, tal como o conhecemos hoje. Figura resgatada apenas recentemente pelas pesquisas da PROBRIG, do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e dos genealogistas Sônia Regina Belato de Freitas Lelis e Walter Antonio Marques Lelis,  Felizardo é hoje uma das personagens mais bem documentadas e com um nível de relevância único em toda a região (Carta Patente do Governador mineiro Dom Manuel de Portugal e Castro de 1816 e correspondência com o Bispo de São Paulo Dom Matheus de Abreu Pereira para conseguir a Provisão Eclesiástica para ereção da capela atestam esta importância). Ainda existem dúvidas documentais sobre o fato dele participar como comandante na tomada do Aterrado em 12 de janeiro de 1816, ação inicialmente encoberta pelo Governador mineiro, mas o teor de sua Carta Patente define sua importância na consolidação da posse mineira do território do Aterrado (número de soldados e autoridade apenas submissa ao Governador e ao Rei – conforme texto do documento) mas esta só foi expedida oficialmente em dezembro de 1816, quando na verdade a ação se verificou em janeiro do mesmo ano. Como logo em seguida à tomada, a reação oficial mineira quanto à reclamação do Governador paulista Conde de Palma foi a de “desconhecer” o fato e atribuí-lo à Câmara de Jacuí (que com certeza nunca teria condições de mandar um pequeno exército para a missão como de fato aconteceu) e como Felizardo já estava na região do Aterrado desde 1813 (conforme atestam documentos da matriz de Franca), pode-se deduzir que certamente ele participou da ação (talvez não como o único comandante) e assumiu o controle da área oficialmente a partir de dezembro de 1816, com a expedição oficial de sua Carta Patente pelo Governador, quando as reações de São Paulo já haviam se amenizado.
O fato é que desempenhando suas atribuições como  Capitão de Ordenanças do Distrito do Aterrado ele se dispôs rapidamente a erigir a capela que oficializaria a povoação e consumaria a posse mineira. Ainda que tomada pela Capitania de Minas Gerais, a área pertencia eclesiásticamente ao Bispado de São Paulo, o que o levou a manter uma longa negociação com o Bispo D.Matheus de Abreu Pereira entre 1817 e 1824, quando finalmente se consagra a capela de Santa Maria Magdalena do Aterrado, no dia 01 de outubro. Seu empenho se verifica na escritura de doação do patrimônio, exigida pelo Bispo, junto a Faustina Maria das Neves (onde ele assina como uma das testemunhas), condição básica para as negociações com o Bispo.
O Capitão Felizardo Antunes Cintra é o fundador de Santa Maria Magdalena do Aterrado, cumprindo ordens de Dom Manuel de Portugal e Castro e aqui viveu como a sua maior autoridade até falecer. Também atendendo às determinações do Governador, tratou de povoar a região e especialmente com sua família (os Cintra, que ainda ocupam grandes áreas da sua propriedade original, a Fazenda Ribeirão do Chapéu, que pelas divisas que constam em alguns documentos (inventários, testamentos e escrituras) ocupavam quase um terço do atual município de Ibiraci, sendo cortada por quilômetros, pelo Ribeirão do Ouro e Rio Canoas, ou seja, os garimpos cobiçados pela Coroa para tomar a área da Capitania de São Paulo.

 

 

10- Faustina Maria das Neves

         Era natural da Nova Colônia do Sacramento, Bispado do Rio de Janeiro, onde foi batizada. Faleceu em Jacuí-MG, em 25 de Dezembro de 1822.
Com a morte de seu filho, Padre José de Freitas Silva, herdou dentre outros bens, uma Fazenda no Bairro do Aterrado (Ibiraci), da qual doou, a pedido do Cap. Felizardo Antunes Cintra, em 02 de Dezembro de 1819, meio quarto de légua, do Capão dos Porcos rumo ao Poente, para a construção de uma Capela sob a proteção de Nossa Senhora das Dores.

 

11- Francisco de Freitas Pedroso

         Natural do Distrito de Nossa Senhora da Conceição de Jacuí (Jacuí-MG), foi batizado em 22 de Agosto de 1765. Casou-se em 10 de Setembro de 1783, em Jacuí, com Manoela Prudência de Jesus Franca (neta do Capitão Pedro Franco Quaresma).
Morador no Aterrado (Ibiraci), foi mencionado no documento de doação do Patrimônio de Da. Faustina Maria das Neves para a ereção da Capela do Aterrado, como sendo seu confrontante ao poente (oeste) e que se comprometeu a doar outro tanto (meio quarto de légua) com o mesmo fim.   

12- Padre Fortunato José da Costa

         Natural de Santo Antonio do Ouro Branco, do termo da cidade Imperial de Ouro Preto, foi ordenado sacerdote em 25 de março de 1833, no Seminário do Caraça e faleceu a 06 de março de 1878 (Dores do Aterrado). 
A designação do Padre Fortunato José da Costa para o Curato de Santa Maria Magdalena do Aterrado (1844), após o falecimento do Cap. Felizardo Antunes Cintra (1842), certamente atendeu à necessidade de pacificar a região de fronteira entre as Províncias de Minas Gerais e São Paulo, pois a denominação de Santa Maria Magdalena nunca havia sido aceita pelos paulistas por se tratar de um claro desaforo ao Capitão Hipólito Antonio Pinheiro, de Franca, já que se tratava do nome de um quartel  mineiro destruído pelos paulistas de Mogi Mirim em 1807 na região de Caldas. Diplomaticamente, já que o próprio Livro do Tombo da Matriz não esclarece o motivo, o Padre Fortunato muda o orago da Capela para Nossa Senhora das Dores, conforme determinação expressa da doadora do Patrimônio, em 1819, Dona Faustina Maria das Neves e em 1850, ao ser elevada a Matriz, a Freguezia passa a se chamar Nossa Senhora das Dores do Aterrado. Pessoa de excepcional formação para a época, tendo sido ordenado no Convento do Caraça, poliglota, Capelão e certamente muito carismático, o Padre Fortunato logo tomou o controle político de Dores do Aterrado, conforme atestam vários documentos e ao se desligar de Jacuí, em l.850, passando a fazer parte da Freguezia de Passos; ele foi eleito como o Vereador do Distrito de Dores do Aterrado junto à Câmara recém criada. Pode ser considerado o nosso primeiro vereador, conforme ata de votação da paróquia e da Câmara de Passos.  
Infelizmente, o período de sua administração pastoral e temporal teve o prejuízo do sumiço dos Livros de Tombo correspondentes, certamente com muitas e preciosas informações; tais livros sumiram logo após a sua morte. O Padre que o sucedeu, José Andrade Costa Colherinhas, deixa claro ao abrir um novo Livro de Tombo (08 de setembro de 1880) que não encontrara registro algum entre a fundação da paróquia em 1824 e a data de sua chegada.
Sua competência política deve ter sido muito útil, num período em que a Câmara de Franca, sob o comando de José Eduardo de Figueiredo, mais veementemente reinvindicou a retomada e posse do Aterrado, enviando documentos insistentes (e muito bem arrazoados) para o Presidente da Província de São Paulo, à Câmara dos Deputados e aos Gabinetes do Império, no Rio de Janeiro.

13- Capitão Jacintho Honório da Silva

         Aterradense, nasceu em 1814 e faleceu em 20 de dezembro de 1884.
Fazendeiro, político e Delegado de Polícia de Dores do Aterrado, dele se refere o Livro do Tombo no 1 da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, na página 07: “ A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi construída por subscripção da Freguezia, sob a direção do Capitão Jacintho Honório da Silva, que entrou (do seu bolso) para esta obra, com quantia considerável, fazendo, neste tempo, também, uma ponte sobre o córrego que separa esta igreja da Matriz e uma casa para habitação do Párocho.”
Em sua homenagem existe hoje, na Comunidade Negra de Ibiraci, um Terno de Congo com seu nome. Apesar de que a Capela de Nossa Senhora do Rosário seja uma referência para a Comunidade Negra de Ibiraci, supõe-se que o patronato de Nossa Senhora do Rosário se deva à devoção familiar do Capitão, que desde a Ilha do Faial (arquipélago dos Açores – Portugal) sempre erigiam capelas com esta devoção, além de colocarem o nome de Maria do Rosário em suas primogênitas. Na igreja de Cedros, ilha do Faial, foi encontrada (enterrada) uma imagem de Nossa Senhora do Rosário do final do século XV que presumivelmente pertenceu à uma Capela da família Medeiros, antepassados  do Cap. Jacintho Honório da Silva.

Imagem encontrada na ilha do Faial, atribuída aos antepassa-dos do Capitão Jacintho.

 

 

14- Cap. Antonio Dionysio de Lima

                        Nasceu em Piunhi em 1814 e faleceu em Dores do Aterrado (Ibiraci) em 22 de março de 1898, aos 84 anos de idade. Antonio Dionízio de Lima foi o sucessor político do Padre Fortunato e provavelmente seu aliado. Em ata de eleição do Conselho Paroquial, em 1863, órgão precursor de uma Câmara Municipal, ele consta como um dos eleitos e na condição de “Fazendeiro”. Em 1883, em relatório do Padre Visitador ao Bispo, ele é descrito como o maior proprietário de escravos do lugar e dono de inúmeras e abastadas propriedades, chegando a citar a produção de milho em uma delas. Une-se à viúva de Nicolau Tolentino de Vassimon, Dona Rita Carolina de Vassimon e tem excelente relação, especialmente com as enteadas, conforme seu testamento. Com a vinda, de Goiás, de seu sobrinho o Tenente José Vicente Evilásio de Lima, este o sucede no comando político da Freguesia. Ao realizar o casamento de sua enteada, Maria Amélia, com o Cap. José Garcia Duarte, em 1873, provavelmente foi influenciado por este e incrementou o plantio do café em suas propriedades que até então se concentravam nos engenhos de açúcar (o Capitão José Garcia Duarte, que depois viria a ser o Barão da Franca, era um entusiasta e o maior produtor de café da região). 

 

15- Maria Amélia de Vassimon, Baronesa da Franca

         Nascida em 26 de junho de 1859, na Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Aterrado e falecida em Franca em 28 de março de 1929.
Filha de Nicolau Tolentino de Vassimon e de Da. Maria Rita Carolina de Vassimon considerava o Capitão Antonio Dionizio de Lima tanto quanto ao seu pai verdadeiro (falecido em 1863), chegando a declarar no seu primeiro testamento, em 1923, no Tabelião Távora, do Rio de Janeiro, ser filha do Cap. Antonio Dionízio de Lima (CHIACHIRI FILHO, José - A Baronesa do Aterrado, 28/11/2004, pág. 32, Comércio da Franca). Casou-se aos 19 de fevereiro de 1873, com o viúvo Capitão José Garcia Duarte (48 anos) que anos depois recebeu o título de Barão da Franca, tornando Maria Amélia a Baronesa da Franca, figura histórica das mais reconhecidas em toda a região. Ficando viúva em 1891, casou-se em 28 de janeiro de 1892 com o Juiz de Direito, Dr. João Antunes de Araújo Pinheiro, do qual enviuvou em 05 de fevereiro de 1914. Com grande patrimônio pessoal e sem filhos, a Baronesa teve inúmeros afilhados (muitos dos quais mantinha em colégios internos, às suas custas) e mantinha uma intensa agenda de viagens para o Rio de Janeiro, São Paulo, Barbacena, etc, conforme anotações em seu diário. Bastante religiosa e indisposta com sua família, deixa em seu testamento grandes somas para os pobres e instituições religiosas e filantrópicas. Para Ibiraci, deixou 5 contos de réis “a serem distribuídos aos pobres do Aterrado” (foi formada uma comissão especial, chefiada pelo Padre Teodoro Fernandez que identificou 43 pobres merecedores da ajuda, cabendo a cada um a quantia de 116$280 (cento e dezesseis mil, duzentos e oitenta réis). Deixou também 15 contos de réis para sua madrinha, Nossa Senhora das Dores, doação que certamente incentivou o Padre Teodoro a iniciar a reforma da Matriz (concluída em 1934). Manteve correspondência pessoal com algumas pessoas de nossa cidade, sempre pedindo notícias do seu “querido Aterrado” (nunca se referindo a Ibiraci, mesmo depois de 1924).  

 

16- Tenente José Vicente Evilasio de Lima

         Aterradense, nasceu em 1850 e faleceu em 06 de maio de 1925. Sobrinho do Capitão Antonio Dionisio de Lima, morava em Goiás (onde é considerado um dos doadores do Patrimônio para a ereção da capela da Abadia do Paranaíba, depois Capelinha e hoje a cidade de Quirinópolis) até ser chamado por seu tio para se tornar seu sucessor no comando político do Aterrado. Casou-se com a enteada de seu tio, Maria Eugênia de Vassimon (irmã de Maria Amélia, a Baronesa da Franca) e marcou época como uma pessoa carismática e empreendedora. Boticário prático, criou a primeira banda de música de que se tem notícia em nossa cidade, a “Lyra Aterradense”; criou em 1882 e publicou durante alguns anos o jornal “Aurora Aterradense”, com o apoio do Padre José de Andrade Costa Colherinhas (Como curiosidade o relatório da igreja (Almanach Sulmineiro 1884)  registrava que o prelo, no qual se imprimia o jornal havia sido projetado pelo Tenente e construído por Manoel Bento Dias). Foi Vereador especial do Distrito do Aterrado junto à Câmara de Santa Rita de Cássia.

17- Coronel Temóteo Joaquim de Andrade

           
          (Dores do Aterrado, 24/01/1870 – Ibiraci, 19/05/1966)
           Foi um grande comandante político de Dores do Aterrado e depois de Ibiracy. Trabalhou políticamente pela emancipação que ocorreu em 1923, sendo eleito a 06 de Abril de 1924, Presidente da Câmara Municipal. Neste período inicial do nosso município enfrentou sérias dificuldades para a consolidação dos limites entre o novo município e Cássia. Ainda no poder, foi nomeado em 09 de agosto de 1936, o 1º Prefeito Municipal, para o período 36/46. Construiu o jardim que veio a se chamar Praça Raul Soares (de saudosa lembrança dos ibiracienses mais antigos, pela sua beleza ); conseguiu a construção do Grupo Dr. Antonio Carlos; trouxe a telefonia para a cidade; a energia elétrica que abastecia o município era gerada na Fazenda Santa Cruz, de sua propriedade; comprou a propriedade dos Peixotos para tentar restaurar a Ponte que havia sido destruída por uma enchente e teve outras iniciativas administrativas que até hoje influenciam o município. Na prática, até meados da década de  1960, o Coronel manteve sua influência na política local, com seu estilo bastante peculiar: firme e paternal, que ainda é lembrado por muitos de seus admiradores e mesmo adversários políticos.   

 

18- Padre Teodoro Fernandez

         Espanhol, nasceu em Corella, frequentou o Seminário dos Padres  Agostinianos, onde se formou emérito professor de Latim, tendo lecionado no Seminário de Santo Emiliano na Província de Logronho. Veio para o Brasil (após período missionário nas Filipinas), em 1902, estabelecendo-se na paróquia de Machado-MG. Foi nomeado em 18 de dezembro de 1927, por D.Ranulpho da Silva Farias, como vigário de nossa paróquia. Tomou posse da Paróquia de Nossa Senhora das Dores em 25 de dezembro de 1927 e aqui permaneceu por 37 anos como figura de grande projeção e respeito, não só para a comunidade católica, mas para todos os ibiracienses. Foi inspetor escolar, médico-parteiro, orientador e moderador em eventos políticos e ainda mostrou-se bom administrador, ao reformar a igreja Matriz entre 1928 e 1934, dando-lhe a atual proporção. Faleceu em 21 de agosto de 1964.

 

CALENDÁRIO CÍVICO MUNICIPAL DE IBIRACI

Datas referenciais para a História de Ibiraci.

 

12 DE JANEIRO  -  (Dia da Tomada pelos Mineiros)
No dia 12 de janeiro de 1816, forças militares mineiras, a mando da Câmara de “Jacuhy”, “deitam abaixo” o quartel paulista do Aterrado (hoje, região da Capela de N.Sa. Aparecida do Morro dos Quartéis) e avançam o marco da divisa até o rio Canoas, incorporando o Aterrado à Capitania de Minas Gerais.

06 DE ABRIL –  (Dia da Instalação do Município)
No dia 06 de abril de 1924 foi implantado o município de “Ibiracy”, emancipado por lei estadual 843 de 07 de setembro de 1923.

07 DE SETEMBRO –  (Dia da Emancipação Municipal)
No dia 07 de setembro de 1923 é promulgada a Lei 843 que emancipa o Distrito de Dores do Aterrado, que é elevado à condição de município, contendo a sede e o Distrito do Garimpo das Canoas. 

 

15 DE SETEMBRO – (Dia da Padroeira)
No dia 15 de setembro é celebrado o dia de Nossa Senhora das Dores, padroeira de nossa cidade desde 1850.

01 DE OUTUBRO  -  (Dia da Fundação )
No dia 01 de outubro de 1824 foi celebrada a primeira missa na Capela de Santa Maria Magdalena do Aterrado. É o dia da fundação de nossa cidade, que até então era um povoado sem documentação própria e tinha seus registros feitos no Livro de Tombo de “Jacuhy”.

15 DE NOVEMBRO – (Dia da Criação da Comarca)
No dia 15 de novembro de 1948, foi criada a Comarca de Ibiraci.

 

Administradores  Municipais de 1924 à 2012

 

  



TEMÓTEO JOAQUIM DE ANDRADE
1924-1930: Presidente da Câmara Municipal
1931-1946: Prefeito Municipal

 

 

  


CLODOMIRO DA ROCHA FALEIROS
1946: Prefeito Municipal

 

 

  

 


JOSÉ INFANTE VIEIRA                              
1947: Prefeito Municipal

 

 

  


GENARO ALVARENGA                                       
1947: Prefeito Municipal

 

 

 

  JOSÉ RODRIGUES DE SIQUEIRA                    
1947-1950: Prefeito Municipal

Primeiro Prefeito eleito de Ibiraci

 

 

  



JOSÉ TIMÓTHEO DE ANDRADE                      
1951-1954: Prefeito Municipal

 

 

 

  



JOÃO JACINTO DA SILVA                                       
1954: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  



JOSÉ ANDRADE CINTRA                                        
1955-1958: Prefeito Municipal
1965-1966: Prefeito Municipal

 

 

 

  



SEGISFREDO DE MELLO                                        
1959-1960: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  MANOEL SATURNINO DE ANDRADE                  
1961-1963: Prefeito Municipal

 

 

 

  JOAQUIM HERMÓGENES DE ANDRADE             
1963-1965: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  MÁRIO DEL BIANCO                                                                                                     
1967-1968: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  



JOÃO MIARELI                                                                 
1969-1971: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  



PAULO FALLEIROS
1971-1972: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  



JAIR DO NASCIMENTO                                                 
1973-1976: Prefeito Municipal

 

 

 

  



JUSTO BARBOSA DE ANDRADE                                  
1977-1983: Prefeito Municipal

 

 

 

  



JOAQUIM ALVES PEREIRA                                        
1983-1988: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  CORNÉLIO ANANIAS ANDRADE                                            
1989-1992: Prefeito Municipal

 

 

 

 

  MARIA APARECIDA HERMÓGENES DE FREITAS              
1993-1996: Prefeita Municipal

 

 

 

  


ANTÔNIO LINDENBERG GARCIA                                          
1997-2000: Prefeito Municipal
2001-2004: Prefeito Municipal

 

 

 

  



ISMAEL SILVA CÂNDIDO                                                         
2005-2008: Prefeito Municipal
2009-2012: Prefeito Municipal

 

 

Obras e documentos de apoio à pesquisa, do acervo PROBRIG:

- Limites entre S.Paulo e Minas – Memória – Prudente de Moraes Filho e João Pedro Cardoso – 1920
- Os primórdios da Franca – Prof. Carmelino Corrêa Junior – 1961
- Do Sertão do Rio Pardo à Vila Franca do Imperador -  José Chiachiri Filho – 1986
- Revista do Instituto Histórico e Geographico de São Paulo – Vol. XXIV – 1.926
- Memória sobre a Viagem do Porto de Santos à Cidade de Cuiabá – Luiz D’Alincourt – Ed. de 1975
- O Povoamento do Planalto da Pedra Branca – Reynaldo de Oliveira Pimenta – 1998
- Poços de Caldas – Homero Benedicto Ottoni – 1960
- Fronteiras (Goiás-São Paulo-Minas Gerais) – Moacir Aguiar – 1993
- A Província Brasileira de Minas Gerais – H.G.F. Halfeld e J.J. Tschudi – Ed. 1.998
- A Capitania das Minas Gerais – Augusto de Lima Junior – Ed. 1.978
- O Triângulo Mineiro nos Oitocentos – Edelweiss Teixeira – 2001
- A Província de São Paulo – Joaquim Floriano de Godoy – 2007
- Sesmarias  (1.720 – 1.736) – Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo – Ed.1.937
- Paulistas e Mineiros – Plantadores de Cidades – Mario Leite – 1961
- História Antiga das Minas Gerais – Vols. 1 e 2 – Diogo de Vasconcelos – Ed. 1974
- História Média de Minas Gerais – Diogo de Vasconcelos – Ed. 1974
- Memória da Cidade de Caconde – Adriano Campanhole – 1979
- Revista do Arquivo Público Mineiro – no 06 a 40 – versão digital – Coleção Mineiriana
- Subsídios Genealógicos para a História da Região Entre o rio Pardo no Estado de São Paulo e o rio Grande no Estado de Minas Gerais , Jacuí-Ibiraci-Franca – Sônia Regina Belato de Freitas Lelis e Walter Antônio Marques Lelis - 2012
- Anotações à História Antiga de Santa Rita de Cássia – Raul Azevedo de Barros – 1990
-  Desemboque – Documentário Histórico e Cultural – Jorge Alberto Nabut – 1986
- História da Capitania de São Vicente – Pedro Taques de Almeida Pais Leme – Ed. 2004
- Na estrada do Anhanguera – Carlos Almeida Prado Bacellar – 1999
- Viagem pela Província de São Paulo – Auguste de Saint-Hilaire – Ed. 1975
- Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo – Auguste de Saint-Hilaire – Ed. 1975
- As Divisas de São Paulo e Minas Geraes – Francisco Morato – 1937
- Limites entre Minas e São Paulo – Resumo Histórico Documentado – Augusto de Lima – 1920
- Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo – Vol. XI – 1896
- Carta Patente do Capitão Felizardo Antunes Cintra – Arquivo Público Mineiro – 371, fls.89v e 90
- Documentos da Capela de Santa Maria Magdalena do Distrito do Aterrado – Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva – Estante 01, Prateleira 02, Livro 07, páginas 242 a 248 verso
- Escritura de Doação do Patrimônio – Da. Faustina Maria das Neves –
Paróquia Nossa Senhora das Dores
- Mapa de População, 1832 – Arquivo Público Mineiro – Cx.14 – doc.05 – 1832/05/28
- Atas da Câmara de Franca – 1834/1948 – Museu Histórico Municipal de Franca – digitalizadas
- Documentos de Minas Gerais – Arquivo Histórico Ultramarino – Pastas 001 a 174 – digitalizadas
- Documentos cartográficos: a questão de limites entre São Paulo e Minas Gerais – Neuza Machado Vieira – 1985
- Retóricas cartográficas: as vilas e seus territórios nas Minas setecentistas – Cláudia Damasceno Fonseca – 2010

 

HINO OFICIAL DE IBIRACI
Projeto de Lei no 027/2012

Autor: José Roberto de Souza

COM O OURO DOS RIOS, DAS MINAS,
BORDANDO AS DIVISAS GERAIS...
FOI CRAVADO O MARCO PRIMEIRO,
TANTAS LUTAS, E ENFIM, DEU-SE A PAZ!

AGORA O OURO É VERDE EM TUAS ARMAS,
E A GRANDEZA DO RIO SE FAZ LUZ,
TUAS SERRAS, A COPA FRONDOSA,
QUE PROTEGE, AMPARA, E PRODUZ...

 ATERRADOS, POR DORES DE OUTRORA
 JÁ CONHECEM UM NOVO PORVIR:
O SANGUE DESEMBOCA EM SEIVA
DA ÁRVORE-MÃE: “IBIRACY”

SÃO TEUS FILHOS OS FRUTOS QUE BROTAM
E ESCREVEM UM NOVO AMANHÃ,
SE O PASSADO PROJETA O FUTURO,
TUA HISTÓRIA TRADUZ-SE EM AFÃ...

SE MOTIVO DE ORGULHO E RESPEITO, TU ÉS
DESTE CHÃO, DESTAS MINAS GERAES
É FELIZ QUEM CARREGA EM SEU PEITO A FÉ,
E GARRA DOS SEUS ANCESTRAIS...

ATERRADOS, POR DORES DE OUTRORA
 JÁ CONHECEM UM NOVO PORVIR:
O SANGUE DESEMBOCA EM SEIVA
NA ÁRVORE-MÃE: “IBIRACY”

 

               

 

 

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